Jorge Tuna - Ensaios

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Artista: Jorge Tuna 
Título: Ensaios
Formato: CD Jewel Case – booklet 8 páginas
Género: World Music / Guitarra Portuguesa / Portugal
Línguas: Português / Inglês 
Nº de Catálogo: SM035-CD 
EAN: 5606562620479
Data de edição: 4 de Junho de 2018

Jorge Tuna é talvez o último dos grandes guitarristas de Coimbra, possuidor de uma linguagem singular próxima da chamada escola de Coimbra, reconhece a importância de Artur Paredes na sua inspiração da mesma forma que inspirou o seu filho Carlos Paredes.


O guitarrista é também um compositor inato que ao longo de mais de 5 décadas contribuiu para o enriquecimento do repertório deste instrumento com mais de 60 gravações originais editadas - o que lhe valeu a atribuição do Prémio Amália em 2006.


O disco “Ensaios” não é nada mais, nada menos do que as gravações dos ensaios efetuadas em sua casa entre 1989 e 2015 com seu companheiro de sempre Durval Moreirinhas na viola que faleceu em 2017 e ao qual Jorge Tuna dedica esta obra. Durval Moreirinhas esteve para Jorge Tuna como Fernando Alvim esteve para Carlos Paredes.


No que respeita a execução do instrumento, Jorge Tuna tem uma técnica particular fazendo por vezes uso do dedo anelar para além do habitual uso do indicador e polegar.


Neste trabalho podemos ouvir 15 composições originais que serão seguramente motivo de inspiração para as gerações que se seguem e que aqui vão descobrir um repertório que tem tanto de fascinante para ouvir como de interessante para executar.

EM TORNO DE JORGE TUNA, DURVAL MOREIRINHAS E OS PRESENTES ENSAIOS

 

    O conjunto de 15 temas seleccionados para o presente CD não passa de uma ‘gota de água’ na extensa produção musical dos dois protagonistas ao longo de décadas (1958 ss.), mas reportando-se essencialmente ao período de ca. 1989 até 2015. Em tal cronologia, Jorge Tuna (JT) e Durval Moreirinhas (DM) deram-nos 1 LP e 3 CD. O reconhecimento público da muita qualidade de tais registos valeu aos dois executantes o Prémio Amália Rodrigues / 2006. Mas muito mais ficou inédito, em gravações de ensaio (daí o título deste CD), com o suporte de antigas cassetes, depois passadas a CD e parcialmente vindas agora a lume em gravação comercial.


    A amostra patente, ainda que com uma maior complexidade, está na linha do que a dupla de executantes nos vinha oferecendo desde a segunda metade dos anos 60, altura em que, reduzindo o corpo instrumental a uma dupla guitarra / viola, dão passos decisivos na composição e na harmonização, os quais decididamente os afastam dos moldes tradicionais coimbrões.

 

       E que passos ?

 

  • A introdução da dedilhação coordenada indicador / polegar, prática já com antecedentes, mas afirmando-se.
  • A construção da melodia por grupos de 3 notas, uma novidade na Coimbra dos anos 60 e que superara o predomínio exclusificante dos grupos de 7 notas (segundo o paradigma Artur Paredes)
  • O procedimento das descidas de meio-tom em meio-tom no acompanhamento dos temas em modo menor, característica altamente emblemática do magistral «modus faciendi» de DM.

 

Tudo isto tinha começado há muito na discografia de JT / DM, mas foi-se mantendo até aos nossos dias.


    E muito mais se poderia fazer notar, desde a execução de acordes de guitarra nos três grupos de cordas mais graves (veja-se «O homem que vem de longe» ou «Nos jardins de Monserrate»), às reminiscências do universo clássico (do barroco ao 1.º romantismo – e veja-se aqui «Chopinianamente»), à música descritiva (de novo «O homem que vem…» ou «Há nevoeiro na ponte») ou ambiental (veja-se o tríptico dedicado a Monserrate).


    Alguns comentários finais:

 

 

  • A música de Jorge Tuna é abrangente, e se não veja-se que os tons de execução das peças abrangem praticamente toda a escala. Ainda assim, há peças, que pelo tom em que foram / são criadas / executadas nos fazem lembrar o JT de todos os tempos; é o caso do tom de mi menor (mais uma vez, o exemplo é «O homem que vem de longe»).
  • Os anos 50 já vão bem longe. Mas JT propicia-nos às vezes uma ou outra reminiscência da velha Coimbra: é o caso do motivo central e final, em si menor, de «Turbilhão».
  • Embora os compassos sejam variados, JT mostra uma acentuada propensão para os ternários (valsas). Será o caso de «Búzio» ou «Adágio de Verão». 

    Jorge Tuna / Durval Moreirinhas foram uma dupla única, pela extensíssima duração e produção e pela invulgar qualidade musical. E é bem surpreendente que dois instrumentistas que exerceram tal actividade lateralmente às suas profissões de médico-cardiologista e professor universitário (JT) e de bancário (DM) tenham realizado tanto. Quem haja merecido a boa-sorte de conhecer a totalidade da sua discografia, agora bem enriquecida por estes Ensaios, pode dar-se por muito feliz, uma vez que terá a oportunidade (que não existe ainda – e alguma vez existirá? – para Artur Paredes ou Carlos Paredes) de abarcar seis décadas (pelo menos) de criação musical e registo discográfico. 

 

   Armando Luís de Carvalho Homem
   Historiador, Professor Universitário, executante de Viola de acompanhamento 

 

“In Memoriam”
Este trabalho discográfico, todo realizado em minha casa em ensaios semanais, é dedicado à memória de Durval Moreirinhas com quem tive a felicidade de traduzir em música a amizade fraterna que nos uniu desde a juventude. 


Jorge Tuna

SevenMuses © 2018

1. Dança das águas I 3:39
2. Há nevoeiro na ponte 3:38
3. Turbilhão 3:40
4. Desassossego 2:59
5. Uma mulher só 2:49
6. O homem que vem de longe 3:27
7. Apaixonadamente 2:37
8. Adagio de Verão 3:59
9. Coisas que nunca te direi 3:19
10. Búzio 3:05
11. Chopinianamente 2:47
12. Dança das águas II 3:39
Tríptico de Monserrate:
13. Nos jardins de Monserrate 2:38
14. À beira do lago 2:27
15. Monserrate ao luar 3:37